Centenas de insetos voando ao redor da lâmpada. Asinhas transparentes espalhadas pelo chão da sala. Se esse cenário parece familiar, você está diante de uma revoada de cupins.
O problema não é o que você vê. Os alados são frágeis e inofensivos. Mas cada casal que perder as asas pode fundar uma colônia dentro da sua casa, consumindo madeira em silêncio durante anos. Uma rainha chega a botar 80 mil ovos por dia e viver até 30 anos.
Este guia mostra o que está acontecendo, como agir na hora e quando procurar ajuda profissional. Sem alarmismo, com passo a passo.
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Os bichinhos voando ao redor da lâmpada são cupins alados em revoada, o voo nupcial que acontece entre a primavera e o verão. Eles não mordem, não picam e não transmitem doenças. Mas cada casal que perder as asas pode fundar uma colônia dentro da sua casa. Apague as luzes, feche as janelas e siga o passo a passo abaixo.
1. O que é a revoada de cupins?
A revoada de cupins é o voo nupcial que colônias maduras fazem uma vez por ano para reprodução. Milhares de cupins alados, chamados de aleluias, siriris ou sararás dependendo da região, saem da colônia atraídos pela luz, formam casais, perdem as asas e procuram uma fresta protegida para fundar uma nova colônia. O risco começa quando esses casais se instalam dentro da sua casa.
Esses insetos pertencem à infraordem Isoptera, dentro da ordem Blattodea. Segundo levantamentos do Instituto Biológico de São Paulo (IB-APTA), o Brasil tem 364 espécies de cupins registradas ¹. Para quem mora em área urbana, duas merecem atenção especial.
A primeira é o Coptotermes gestroi, o cupim subterrâneo. Essa é a espécie mais destrutiva em construções no Brasil. Constrói colônias enormes no solo e cria túneis para alcançar madeira, pisos e até fiação elétrica. A segunda é o Cryptotermes brevis, o cupim de madeira seca. Forma colônias menores dentro da própria peça de madeira. É o responsável pelo pozinho fino que aparece no chão, abaixo de móveis e batentes.
Uma colônia de cupins é organizada em castas: operários que se alimentam de madeira, soldados que defendem a colônia e reprodutores alados. Os alados são a única casta que sai ao ar livre. O restante trabalha escondido, o que torna a infestação silenciosa durante anos.

2. Por que cupins voam ao redor da luz?
Cupins alados apresentam fototropismo positivo, ou seja, são biologicamente atraídos por fontes de luz artificial. A lâmpada da varanda, a janela iluminada da sala ou o poste da rua funcionam como um farol para a revoada. Por isso a “invasão” parece sempre acontecer à noite: quando você acende as luzes, os cupins que já estão no ar convergem na direção da sua casa.
O horário de maior atividade é entre 17h e 20h. Nesse intervalo, há equilíbrio entre a luz natural restante e as condições atmosféricas ideais: umidade alta, pouco vento e temperatura amena. De acordo com pesquisas de Francisco Zorzenon, do Instituto Biológico, esse padrão se repete com consistência nas áreas urbanas do estado de São Paulo ¹.
Lâmpadas de LED amarelo ou âmbar atraem significativamente menos insetos do que lâmpadas brancas ou fluorescentes. Trocar as luzes externas da casa é uma medida simples que reduz a atração durante toda a temporada de revoadas.
3. Em que época do ano acontece a revoada de cupins?
No Brasil, a temporada clássica de revoadas vai de outubro a fevereiro, quando a combinação de calor, umidade elevada e chuvas frequentes cria as condições ideais para o voo nupcial. O gatilho imediato costuma ser uma chuva seguida de calor ao anoitecer. Se choveu à tarde e o tempo esquentou à noite, as chances de revoada são altas.
Nos últimos anos, no entanto, revoadas estão sendo registradas cada vez mais cedo, a partir de agosto. Pesquisadores do Instituto Biológico associam essa antecipação a mudanças climáticas e ao aumento de temperaturas fora de estação ¹. Esse é um dado que muitos sites de controle de pragas ainda não mencionam: o calendário “oficial” da revoada está se expandindo, e quem espera outubro para se preparar pode ser pego de surpresa.
Quando a primavera chega, os cupins não são a única preocupação. Confira quais pragas urbanas na primavera podem afetar sua casa e como se preparar.
4. Cupim voador ou formiga voadora: como saber a diferença?
Essa é a dúvida mais comum durante a temporada de revoadas. Cupins e formigas aladas fazem revoada na mesma época, mas os riscos são completamente diferentes. Saber distinguir os dois muda o que você precisa fazer. A chave está em três detalhes do corpo: as antenas, a cintura e o tamanho das asas.
Teste rápido: pegue um inseto morto e olhe de perto. Se a cintura for grossa, sem divisão visível, e as quatro asas forem do mesmo tamanho, é cupim. Se o corpo tiver cintura fina e as asas da frente forem maiores que as de trás, é formiga.
| Característica | Cupim alado | Formiga voadora |
|---|---|---|
| Antenas | Retas, como um colar de contas | Curvadas em “L” (cotovelo) |
| Cintura | Grossa, sem divisão visível | Fina, acinturada |
| Asas | 4 asas iguais, maiores que o corpo | 2 maiores na frente, 2 menores atrás |
| Asas no chão | Caem facilmente, formam “tapete” | Raramente se soltam em quantidade |
| Cor do corpo | Castanho claro, amarelado | Escuro, marrom ou preto |
| Risco para a casa | Alto: destroem madeira | Baixo: maioria não ataca estruturas |
5. Asas de cupim no chão: o que isso significa?
Se você acordou e encontrou dezenas de asinhas transparentes espalhadas pelo chão, perto de janelas ou lustres, o cenário é o seguinte: os cupins alados já entraram, perderam as asas e estão procurando, neste momento, um local para iniciar uma colônia. Cada par de asas no chão representa um casal que pode dar início a uma nova infestação dentro da sua casa.
O problema não é o cupim que você vê voando. É o que você não vê, trabalhando escondido depois que a revoada termina. Os operários começam a consumir madeira por dentro, e os sinais só ficam visíveis meses ou anos depois, quando o estrago estrutural já é grande e o custo de reparo, alto.
Uma rainha de cupim pode botar até 80 mil ovos por dia e viver entre 25 e 30 anos. A colônia cresce em silêncio, alimentando-se por dentro de madeiras, pisos e estruturas. Quando os sinais ficam visíveis (pó de madeira, peças ocas, pisos deformados), o estrago já é extenso. O custo de uma descupinização curativa com reparo estrutural pode ser várias vezes maior do que o de uma inspeção preventiva feita a tempo.
6. O que fazer quando a revoada de cupins começar
Quando os cupins alados invadirem a casa, siga cinco passos imediatos com o que você tem à mão. O objetivo é impedir a entrada de novos alados, capturar os que já entraram e inspecionar a casa nos dias seguintes para detectar se algum casal se instalou. Nenhum desses passos exige produto especializado.
Passo 1: apague as luzes. Desligue as luzes internas e externas que estiverem atraindo os insetos. Se precisar de iluminação, use luz amarela (LED âmbar), que atrai muito menos insetos que a luz branca.
Passo 2: feche portas e janelas. Bloqueie todas as entradas. Se houver frestas embaixo das portas, use panos úmidos ou toalhas para vedar. Os cupins alados são frágeis e qualquer barreira física já ajuda.
Passo 3: monte a armadilha de luz e água. Coloque uma bacia com água e algumas gotas de detergente embaixo de uma luminária acesa, de preferência do lado de fora. Os cupins voam em direção à luz, caem na água e o detergente quebra a tensão superficial, impedindo que escapem. É a medida mais eficaz para o momento da revoada.
Passo 4: recolha os insetos e as asas. Use aspirador de pó ou vassoura. Evite inseticida: ele mata os alados visíveis, mas não atinge a colônia de origem. Além disso, espalha produto químico pela casa sem necessidade.
Passo 5: inspecione a casa nos dias seguintes. Procure sinais de que casais se instalaram: pequenos montículos de asas concentrados, pó fino próximo a batentes, rodapés ou móveis de madeira. Se encontrar esses sinais, avalie a ajuda profissional.
Inseticida doméstico não resolve revoada de cupins. Ele mata apenas os alados visíveis e não tem nenhum efeito sobre a colônia que gerou a revoada. A bacia com água e detergente é mais eficaz, mais segura e não contamina o ambiente.
7. Como evitar que cupins alados entrem em casa
Prevenir é mais barato e menos estressante do que remediar. As medidas abaixo reduzem drasticamente o risco de uma revoada se transformar em infestação. Nenhuma delas exige obra ou investimento alto, e a maioria pode ser feita em um fim de semana.
Telas de malha fina nas janelas e portas são a barreira mais eficaz. Os cupins alados são frágeis e não conseguem atravessá-las.
Substitua lâmpadas brancas ou fluorescentes por LED amarelo ou âmbar nas áreas externas. A diferença na atração de insetos é imediata.
Batentes de portas, rodapés, caixas de luz e passagens de tubulação são os caminhos preferidos. Silicone e massa acrílica resolvem a maioria dos casos.
Madeira empilhada, restos de poda, entulho com madeira e troncos em decomposição são atrativos naturais para cupins. Mantenha distância da casa.
Se sua casa tem estrutura de madeira ou telhado com caibros, a descupinização preventiva é o investimento mais inteligente.
Verniz e seladores em portas, janelas e móveis de madeira criam uma camada de proteção. Madeira exposta e sem acabamento é mais vulnerável.
8. Quando chamar uma empresa de controle de pragas?
As medidas caseiras funcionam para proteger durante a revoada, mas quando os sinais indicam que uma colônia já se instalou, nenhum remédio caseiro dá conta. A diferença entre lidar sozinho e precisar de ajuda profissional está nos sinais que aparecem nos dias e semanas seguintes à revoada. Se mais de dois itens abaixo se aplicam à sua situação, é hora de chamar uma empresa certificada.
Sinais que pedem atenção profissional:
- Asas em grande quantidade dentro da casa, concentradas em pontos específicos
- Pó de madeira fino perto de batentes, rodapés, janelas ou móveis
- Madeira que soa oca quando você bate com os nós dos dedos
- Pequenos furos ou galerias visíveis em superfícies de madeira
- Revoadas acontecendo dentro da casa (sinal de colônia madura no local)
- Revoadas recorrentes, todo ano, na mesma casa
Uma empresa certificada identifica a espécie, localiza os ninhos (inclusive colônias subterrâneas de Coptotermes gestroi, que podem estar a metros de distância da casa) e aplica o tratamento adequado, seguindo os protocolos da RDC 622/2022 da ANVISA ².
Se você é síndico ou mora em condomínio, o processo exige abordagem coletiva. Veja como funciona a descupinização de edifícios para síndicos.
Busque empresas associadas à APRAG (Associação dos Controladores de Pragas Urbanas) e registradas no CREA. Exija laudo técnico com identificação de espécie, mapeamento de focos e cronograma de tratamento. Fuja de quem oferece “veneno forte” sem diagnóstico.
A Desinsecta atua desde 2003 em Piracicaba, Campinas, ABC e São Paulo. Equipe técnica associada à APRAG e registrada no CREA. Diagnóstico e orçamento sem compromisso.
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